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Wednesday, April 12, 2017

Heroon



Beatriz Cunha

XIX Bienal de Cerveira
DA POP ARTE ÀS TRANS-VANGUARDAS, Apropriações da arte popular

Memória descritiva

A memória, a História da Arte, a cultura popular, a representação do corpo humano, a tentativa de equilibrar tendências opostas, são os pilares da construção das minhas obras, mas não o ponto de origem, esse fica reservado à busca por uma homeostasia interior. 
Num mundo exterior tomado pela instabilidade, onde sou, somos todos, forçados a conviver diariamente com o inconcebível, é de grande valor, a possibilidade de me voltar para o trabalho artístico, como se me voltasse para a própria alma, para um mundo interno e seguro.
Do contraste desses mundos nascem obras que tendem à combinação ecléctica, de múltiplas referências, integrando elementos aparentemente incompatíveis e de proveniências muitas vezes opostas ou com reminiscências de uma ruralidade já quase perdida.
O seu desenvolvimento acontece na confluência entre as forças fundamentais da Natureza e o lugar do ser humano como um elemento, entre outros, de um contexto mais amplo, entre fenómeno e essência, acção e resultado, numa procura de representação simbólica das complexidades da vida, inserida numa sociedade tecnicamente avançada mas em crescentes dificuldades em termos humanos, e do lugar que ela ocupa no Universo.



“Heroon”, é dedicado ao heroísmo do homem comum, um homem telúrico, antigo e gasto mas rico de vivências e sabedoria acumulada, sustentado pelas quatro pernas de um banco, de produção industrial mas interiormente pleno de reverência pelo sagrado na natureza. Uma espécie de relicário de contraditórias experiências de vida.  
 


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